Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
O Pêndulo

      Este foi o texto que escrevi na aula de português (com algumas alterações e acrescentos) quando a professora nos pediu para pensarmos numa palavra e elaborarmos um texto lírico sobre ela.

      Inicialmente escolhi a palavra tempo, mas para não ter de repetir aqui a Ana M. Mudei para Pêndulo. Muito sinceramente: está uma treta, estava mesmo sem inspiração... Ainda mais sinceramente: nem sequer tentei arranjar inspiração ou o que fosse, já tive melhores dias...

  

                     

    

O Pêndulo

 

O Pêndulo oscila, o meu olhar oscila com ele.

Fico parada a observar a sua constante trajectória.

Tão ilusória é a sua mobilidade, como a minha imobilidade:

Ele está eternamente preso a um ponto fixo no espaço

      E o meu corpo fervilha a cada efémero instante.

  

O Pêndulo pulsa sem se demover,

Nada o parece afectar, atingir, marcar... contudo ele

Marca o tempo  tal clepsidra, ampulheta ou quartzo,

Marca o ritmo tal batuca, pandeireta ou coração

       E marca-me a mim que o fico a ver tal criança ociosa.

  

O Pêndulo, colérico, corta o ar uma vez mais.

Loucamente coloca a tensão sobre o fio – é livre para oscilar.

Escapa-se ao império das horas, minutos e segundos – é perpétuo

Mas não à gravidade – não é livre para parar.

      E eu fico hipnotizada por ele, escrava de todos os três amos.

   

O Pêndulo dá mais uma volta, mais um momento:

O momento passado que não volta

E o momento futuro que não podemos impedir;

Cada novo momento que fica embriagado de vida

      E que nos recorda, por isso, a morte.

  

O Pêndulo conserva o movimento das fórmulas imutáveis.

Eu, como humana, como todos sedenta de mudança, moldo-o:

Com uma lâmina como peso torno-o um instrumento de tortura,

Com algumas medições calculo a aceleração da gravidade

      E com atenção na cadência cronometro o que perco.

   

O Pêndulo varia a velocidade neste invariável curso:

Queda-se indeciso, por um instante, na inversão do sentido

E passa mais célere pelo seu centro de gravidade;

Abranda para ver a dor dos torturados

      E apressa-se perante o prazer dos amantes.

   

O Pêndulo, por inércia, nunca pára.

O movimento é eviterno, constante, etéreo.

O movimento nunca, em momento algum, cessa.

Não o pode fazer, como não o podemos todos nós,

     Pois se o pêndulo parasse, deixaria de o ser.

 

    

By Sophia 

    

    


música: Learn to be lonely (from 'the phantom of the opera')

publicado por **** às 00:12
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1 comentário:
De Ana M. a 10 de Outubro de 2007 às 20:37
As vezes gostava de ser um pendulo... oscilar para a frente para tras... nao sair do mmo sitio.

O tempo e traiçoeiro... kd damos conta ja passou.


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