Domingo, 16 de Março de 2008
Antiquitera (I)

   

                          Prefácio

 

       Foi há pouco mais de um ano que entrei em contacto com este fabuloso mundo da blogoesfera, que me tem surpreendido de forma muito positiva, seja pela aprazibilidade de alguns lugares que vou descobrindo e visitando com regularidade, seja pela extraordinária qualidade de alguns textos. Os comentários fazem dos blogs lugares abertos, trazendo uma enorme riqueza e complementaridade àquilo que se vai escrevendo. Mas, pode-se ir mais além, as parcerias representando experiências deveras interessantes. Nesse sentido, enderecei um convite à Sophia do Flip Side, para que escrevêssemos um conto. Espero que o resultado seja do agrado de quem gentilmente nos lê…

   

   

  

        “O sol ia baixo, a oeste, descendo sobre os mastros despidos dos navios de grande calado que enchiam o Eunostos de marinheiros e de fazendas de toda a sorte, as riquezas do mundo conhecido sendo comercializadas numa vozearia que enchia de vida um final de dia excessivamente quente, o ar pesado de humidade e fumo causando aquela ténue mas indissipável impressão de desconforto de todas as mediterrânicas tardes estivais. À minha frente, separando o porto mercantil dos arsenais e das guarnições militares, o Heptaestádio estendia-se mar adentro, ligando o continente à ilha onde, havia mais de um século, tinha sido erguida a impressionante obra de Sóstrato de Cnido a mando de Ptolomeu, 300 côvados de altura, sobre a base quadrada de erguendo-se a esbelta torre octogonal, no topo levantando-se um cilindro para uma cúpula aberta onde o fogo que iluminava o farol era mantido noite e dia. Lá no alto, a magnífica estátua de Poseidon velava, infatigável, pela tranquilidade das águas de um azul profundo, o mármore reluzente captando as tonalidades do crepúsculo. Estuguei o passo, o papiro entregue pelo meu secretário referindo o pôr-do-sol como a hora do encontro, a misteriosa assinatura revelando um nome feminino definitivamente estrangeiro, a premência do convite deixando-me a arder de curiosidade…”

 

       V.A.D.

 

 

V.A.D. e Sophia em Antiquitera

 

Imagem: Farol de Alexandria

       (www.tresd1.com.br/Contest/c07-civilizacoes/Pedro-Miguel-Varanda.jpg)

 



publicado por **** às 15:00
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2 comentários:
De Ana M. a 17 de Março de 2008 às 12:48
Os ínfimos pormenores transportam-nos para uma irrealidade real em nós próprios e deixam-nos, sem dúvida, a 'arder de curiosidade'.

*


De Sophia (do Flip Side) a 20 de Março de 2008 às 01:28
"transportam-nos para uma irrealidade real em nós próprios", para uma irrealidade que queremos por tudo manter mais real que a própria realidade para a qual abrimos os olhos...

Espero que agora na minha vez não tenha morto a tua curiosidade com um balde de água fria pela cabeça... Com este tempo nem a ti te desejava tamanho azar

Beijos


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