Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
Hoje Sinto-me só...

  

      Hoje sinto-me só.

     Tento não pensar nisso... Sento-me no chão de madeira do quarto, entre um móvel e outro, entalada entre dois instantes. Encolho-me no pequeno espaço, mais que o necessário, menos do que o desejável. Enrosco-me em mim mesma e, por um segundo, o tempo pára, nada muda, nada avança, nada existe. Mas um novo momento nasce ao som d’uns familiares acordes vagabundos que se propagam agora pelo ar, essência da melodia sofre reverberação em cada partícula da minha. Mais um compasso e pego num livro de poesia errante pelo chão, a sua capa é acariciada pelas minhas mãos, as suas letras são vistas pelos meus olhos, a sua alma é decriptada pela minha.

    Sinto-me só e nem a doçura  de cada nota da música que me invadiu, nem a agrura de todas as páginas do livro que invadi mudam isso.

 

      Hoje sinto-me só, sinto-me fria, sinto-me confusa, mas hoje não me quero importar com isso.

 

 

By Sophia

 

   

 

  

Algures impresso no livro:

 

 

EU...
 
 
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
 
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
 
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
  
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo p'ra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

 

 

 

Algures ainda a Pairar no Ar:

  

Learn to Be Lonelly (from the Phantom of the Opera)

 

   


publicado por **** às 01:17
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Domingo, 28 de Outubro de 2007
" ‘defeito de fabrico’ no universo "
Parece incrível que sendo 3 de nós as 4 alunas ligadas às ciências e amantes convictas do cientifico, não tenhamos ainda escrito algo sobre o Universo no seu esplendor... Pois bem, para colmatar esta falha grave no sistema...

« Um estudo publicado hoje na revista Science por uma equipa espanhola e britânica liderada por Marcos Cruz, do Instituto de Física de Cantábria, diz que a causa de uma ‘mancha fria’, uma zona do espaço onde parece não existir nada, é um defeito que remonta à origem do universo.


A existência dessa mancha fria é uma das questões que mais tem preocupado a comunidade astronómica actual, e pode ganhar resposta em breve.

Segundo o estudo de Marcos Cruz, esse buraco com um bilião de anos-luz de largura não é desprovido de matéria e energia, mas sim uma distorção causada, precisamente, por esse «defeito» no espaço. »


 

Pode ler a notícia integral aqui http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=63304



Eu sempre desconfiei que existe uma grande falha no universo... 

Estou a brincar... Duvido que haja algum defeito no Universo. A matemática do universo não se engana... Nós é que a interpretamos mal... Isso sim.. Ora bem meus amigos cientistas... virem lá o prisma e vão acabar por concordar comigo.


Ana M.

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publicado por **** às 13:02
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
Aprender a perder...
Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes, é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que mais se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma. Às vezes, mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida. Às vezes, é preciso abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar fora a chave. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho, mesmo que não haja caminho, porque o caminho se faz a andar. O sol, o vento o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então, esquecer.

As Crónicas da Margarida
, Margarida Rebelo Pinto
(texto com supressões)

By Ana M .

música: Eu sei - papas na Lingua

publicado por **** às 00:03
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Frio. Muito Frio. Gelei...

Time starts to pass
Before you know it you're frozen


Mergulho num lago profundo... Frio. Muito frio. Gelei... O ar escapou-se-me. Por dentro quebrei. Nas rosas que trago nas mãos, negras de queixume, nascem espinhos e qual lágrimas escorrem por elas gotas do sangue que não tenho.

Frio.

Muito frio.

Gelei...

By Ana M.

música: Frozen - Madonna
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publicado por **** às 00:42
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
O que é um verdadeiro homem
Lυcια diz (23:56):
o que é para ti um verdadeiro homem (sem aparvalhar) ?
¨*Ana*¨ diz (23:56):
um vdd homem
¨*Ana*¨  diz (23:56):
é um homem k tenha inteligencia suficiente pa saber o k eu vou pensar a seguir..
¨*Ana*¨ diz (23:57):
k me saiba contrariar kd eu estou errada
¨*Ana*¨  diz (23:57):
k me saiba ensinar um pc mais da vida
¨*Ana*¨ diz (23:57):
k me diga tas linda kd eu menos tou a espera
¨*Ana*¨  diz (23:57):
k me diga..
¨*Ana*¨  diz (23:57):
humm gosto mais da outra foto..
¨*Ana*¨  diz (23:57):
um vdd homem tem de saber me dar prazer na cama mas tb me dar prazer num beijo
¨*Ana*¨  diz (23:57):
tem de ter objectivos
¨*Ana*¨  diz (23:57):
nem k esse objectivo seja ser feliz
¨*Ana*¨  diz (23:57):
tem de saber falar cmg
Lυcια diz (23:57):
ah pois
¨*Ana*¨  diz (23:58):
e ter pedalada pa me perceber
Lυcια diz (23:58):
mas isso é a perfeição?
¨*Ana*¨  diz (23:59):
nao
¨*Ana*¨  diz (23:59):
é um vdd
¨*Ana*¨  diz (23:59):
homem
¨*Ana*¨  diz (23:59):
claro
¨*Ana*¨  diz (23:59):
nao acabei
¨*Ana*¨  diz (23:59):
tb pode ter defeitos
¨*Ana*¨  diz (23:59):
por isso e k axo k deve ser parvo
¨*Ana*¨  diz (0:00):
e deve rir-se das suas figuras de criança kd as faz
¨*Ana*¨  diz (0:00):
tb tem de ser adepto dum club e n se virar pa mim e dixer.. ah n ligo mt ao futebol..
¨*Ana*¨  diz (0:00):
dps
¨*Ana*¨  diz (0:00):
tem de errar..
¨*Ana*¨  diz (0:00):
se nao errar n presta
¨*Ana*¨  diz (0:00):
eu n gosto de pessoas mais perfeitas k eu..
Lυcια diz (0:02):
mas isso do futebol é chato n?
Lυcια diz (0:02):
nao é bom andares com um fanatico
¨*Ana*¨  diz (0:02):
lol
¨*Ana*¨  diz (0:02):
é sim
¨*Ana*¨  diz (0:02):
tem de ser um fanatico pelo futebol
¨*Ana*¨  diz (0:02):
mas tem de ser mais fanatico por mim ainda hehe
¨*Ana*¨  diz (0:03):
a piada é dps o amor /beijo de reconciliaçaoXD

sintomo-nos: Aborrecidas

publicado por **** às 00:05
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Sábado, 20 de Outubro de 2007
A desconversar...

   

 

 

                            " Polonius: (...) What do you read, my lord?

                            Hamlet: Words, words, words.

                            Polonius: What is the matter, my lord?

                            Hamlet: Between who?

                            Polonius: I mean the matter that you read, my lord.

                            Hamlet: Slanders, sir (...)"

 

          Polonius tinha sido enviado para confirmar a loucura de Hamlet e este fazia-se de louco para tentar desmascarar o assasino de seu pai...  E assim mantinham esta conversa, ambos fingindo, ambos contrariados...

          Hoje também falo contrariada! Mas não fingo interesse.

          Hoje não quero conversar, apenas desconverso...

          Portanto deixem-me ler, não há o risco de chatear o livro, nem de o vir a insultar.

   

          São dias... tenho-os eu, tinha-os o princípe da Dinarmaca e tê-los-ão muitos.

 

          Amanhã volto ao normal, mas hoje zanguei-me com a humanidade sem razão (ou pelo menos sem nenhuma razão que não fosse já antiga).

          Amanhã refaço as pazes com a vida.

          Amanhã peço perdão.

 

          Hoje dêem-me tréguas...

          Hoje basta-me um livro como companhia... ao menos com ele não posso desconversar...

   

 

  

By Sophia

 

 

a imagem: Sophia Kramskaya Reading, by Ivan Nikolaevich Kramskoy

o excerto: Hamlet, Prince of Denmark, by William Shakespear



música: Sweet Dreams - Marylin Manson

publicado por **** às 22:26
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
Faz pensar, não faz?

A "pedido de muitas famílias" escrevo pela primeira vez no blog. Não escrevi antes simplesmente por falta de inspiração ou imaginação...A verdade é que não me sinto hoje mais ou menos inspirada que nos outros dias. Mas as "muitas famílias" convenceram-me.

 

Por falta dessa imaginação que não me tem visitado passo a citar um grande senhor, Fernando Pessoa...

 

"Temos, todos que vivemos

Uma vida que é vivida

E outra que é pensada

E a única vida que temos

É essa que é dividida

Entre a verdadeira e a errada.

 

Qual porém a verdadeira

E qual errada, ninguém

Nos saberá explicar

E vivemos de maneira

Que a vida que a gente tem

É a que tem que pensar."

 

 

Faz pensar, não faz?

 

TC


música: Good luck- Boa Sorte

publicado por **** às 19:14
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
É complicado
É complicado amar, entregar-nos a alguém de alma e coração
É complicado confiar, acreditar que não nos trairão
É complicado lutar, sabendo que é em vão

Mas será que alguma coisa nesta vida é simples? Ou será que somos nós que temos o dom de complicar o mais simples recado?

A vida é simples nós é que a complicamos! E para quê?
Vocês acham mesmo que as outras espécies de animais pensam que  podem não estar vivos no minuto seguinte?
É complicado explicar, ainda mais de compreender aqueles que não querem ver.

Pronto! Não digo mais nada, parece que... estou a complicar!


By: Lucia

sintomo-nos: Complicadamente Parva

publicado por **** às 19:27
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Amo-te
Achei que estava engraçado e que pode dar jeito x)

Amo-te nas várias linguas:

Albanian - Te dua
Arabic - Ana behibak (to male)
Arabic - Ana behibek (to female)
Armenian - Yes kez sirumen
Bambara - M'bi fe
Bangla - Aamee tuma ke bhalo aashi
Belarusian - Ya tabe kahayu
Bisaya - Nahigugma ako kanimo
Brazil - Eu te amo
Bulgarian - Obicham te
Cambodian - Soro lahn nhee ah
Cantonese Chinese - Ngo oiy ney a
Catalan - T'estimo
Cheyenne - Ne mohotatse
Chichewa - Ndimakukonda
Corsican - Ti tengu caru (to male)
Creol - Mi aime jou
Croatian - Volim te
Czech - Miluji te
Danish - Jeg Elsker Dig
Dutch - Ik hou van jou
Esperanto - Mi amas vin
Estonian - Ma armastan sind
Ethiopian - Afgreki'
Faroese - Eg elski teg
Farsi - Doset daram
Filipino - Mahal kita
Finnish - Mina rakastan sinua
French - Je t'aime, Je t'adore
Gaelic - Ta gra agam ort
Georgian - Mikvarhar
German - Ich liebe dich
Greek - S'agapo
Gujarati - Hoo tanay prem karoo choo
Hiligaynon - Palangga ko ikaw
Hawaiian - Aloha wau ia oi
Hebrew - Ani ohev otah (to female)
Hebrew - Ani ohev et otha (to male)
Hiligaynon - Guina higugma ko ikaw
Hindi - Hum Tumhe Pyar Karte hae
Hmong - Kuv hlub koj
Hopi - Nu' umi unangwa'ta
Hungarian - Szeretlek
Icelandic - Eg elska tig
Ilonggo - Palangga ko ikaw
Indonesian - Saya cinta padamu
Inuit - Negligevapse
Irish - Taim i' ngra leat
Italian - Ti amo
Japanese - Aishiteru
Kannada - Naanu ninna preetisuttene
Kapampangan - Kaluguran daka
Kiswahili - Nakupenda
Konkani - Tu magel moga cho
Korean - Sarang Heyo
Latin - Te amo
Latvian - Es tevi miilu
Lebanese - Bahibak
Lithuanian - Tave myliu
Malay - Saya cintakan mu / Aku cinta padamu
Malayalam - Njan Ninne Premikunnu
Mandarin Chinese - Wo ai ni
Mauritius - Mo kontan toi
Marathi - Me tula prem karto
Malta - Inhobbok
Mohawk - Kanbhik
Moroccan - Ana moajaba bik
Nahuatl - Ni mits neki
Navaho - Ayor anosh'ni
Norwegian - Jeg Elsker Deg
Pandacan - Syota na kita!!
Pangasinan - Inaru Taka
Papiamento - Mi ta stimabo
Persian - Doo-set daaram
Pig Latin - Iay ovlay ouyay
Polish - Kocham Ciebie
Portuguese - Amo-te
Romanian - Te ubesk
Russian - Ya tebya liubliu
Scot Gaelic - Tha gra\dh agam ort
Serbian - Volim te
Setswana - Ke a go rata
Sindhi - Maa tokhe pyar kendo ahyan
Sioux - Techihhila
Slovak - Lu`bim ta
Slovenian - Ljubim te
Spanish - Te quiero / Te amo
Swahili - Ninapenda wewe
Swedish - Jag alskar dig
Swiss-German - Ich lieb Di
Tagalog - Mahal kita
Taiwanese - Wa ga ei li
Tahitian - Ua Here Vau Ia Oe
Tamil - Nan unnai kathalikaraen
Telugu - Nenu ninnu premistunnanu
Thai - Chan rak khun (to male)
Thai - Phom rak khun (to female)
Turkish - Seni Seviyorum
Ukrainian - Ya tebe kahayu
Urdu - Main aap say pyaar karta hoon (to female)
Urdu - Main aap say pyaar kartee hoon (to male)
Vietnamese - Anh ye^u em (to female)
Vietnamese - Em ye^u anh (to male)
Welsh - 'Rwy'n dy garu
Yiddish - Ikh hob dikh
Yoruba - Mo ni fe


publicado por **** às 19:25
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Cansaço



Pego na minha bíblia de versos e, enquanto acaricio a capa preta, encontro aquele poema marcado a fita de cetim.

Nas páginas não se notam nódoas nem lágrimas... são apenas gatafunhos a carvão. E em cada palavra dita, em cada sílaba sentida, sugo cada termo, miro o meu reflexo e confronto cada sentido... porque "sentir... sinta quem lê!"



O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada;
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém
Essas coisas todas
Essas e o que faz falta nelas eternamente;

Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,

Cansaço.


Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada.
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o impossível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais,
Se puder ser,
Ou então se não puder ser.


E o resultado?
(...)

Um supremíssimo cansaço.

Íssimo, Íssimo, Íssimo

Cansaço

Álvaro de Campos

Cansaço de ser. Um simples cansaço de existir, de pisar a terra. Um que ninguém sente... Nem fingindo. Um cansaço de aborrecimento. Um cansaço das pessoas... mas uma saudade. Uma saudade tão grande que chega a tornar cansaço os versos que fingi.


By Ana M.

sintomo-nos: íssima, cansadíssima
música: Ordinary Day - Dolores O'Riordan
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publicado por **** às 18:30
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Domingo, 14 de Outubro de 2007
Um esboço...

 

 

 

Somos um esboço em eterno aperfeiçoamento....

 

As situações fazem o primeiro traçado a carvão,

O destino demarca as zonas de luz e sombra,

O acaso acrescenta um tímido colorido,

A nossa mão dá uns desajeitados retoques

E um um pincél invisível assina sem vacilar.

 

Realmente 

Todos somos um esboço em eterno aperfeiçoamento...

Todavia a nenhum é dada a eternidade necessária para completar a tarefa.

  

  

By Sophia

    


sintomo-nos: em eterno aperfeiçoamento...
música: Rhapsody in Blue - Duke Ellington (and his big band)
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publicado por **** às 03:39
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
Anos

É nestes dias que deveríamos escrever algo realmente marcante...

Algo com conteúdo, com alma, algo só nosso...

 

Mas é também nestes dias que nos dá vontade de apanhar um comboio e partir...

 

Nao sabemos bem para onde, mas queremos ir... ai se queremos...

 

Bem deixa-me la ir apagar as velas...

 



publicado por **** às 21:03
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
O Pêndulo

      Este foi o texto que escrevi na aula de português (com algumas alterações e acrescentos) quando a professora nos pediu para pensarmos numa palavra e elaborarmos um texto lírico sobre ela.

      Inicialmente escolhi a palavra tempo, mas para não ter de repetir aqui a Ana M. Mudei para Pêndulo. Muito sinceramente: está uma treta, estava mesmo sem inspiração... Ainda mais sinceramente: nem sequer tentei arranjar inspiração ou o que fosse, já tive melhores dias...

  

                     

    

O Pêndulo

 

O Pêndulo oscila, o meu olhar oscila com ele.

Fico parada a observar a sua constante trajectória.

Tão ilusória é a sua mobilidade, como a minha imobilidade:

Ele está eternamente preso a um ponto fixo no espaço

      E o meu corpo fervilha a cada efémero instante.

  

O Pêndulo pulsa sem se demover,

Nada o parece afectar, atingir, marcar... contudo ele

Marca o tempo  tal clepsidra, ampulheta ou quartzo,

Marca o ritmo tal batuca, pandeireta ou coração

       E marca-me a mim que o fico a ver tal criança ociosa.

  

O Pêndulo, colérico, corta o ar uma vez mais.

Loucamente coloca a tensão sobre o fio – é livre para oscilar.

Escapa-se ao império das horas, minutos e segundos – é perpétuo

Mas não à gravidade – não é livre para parar.

      E eu fico hipnotizada por ele, escrava de todos os três amos.

   

O Pêndulo dá mais uma volta, mais um momento:

O momento passado que não volta

E o momento futuro que não podemos impedir;

Cada novo momento que fica embriagado de vida

      E que nos recorda, por isso, a morte.

  

O Pêndulo conserva o movimento das fórmulas imutáveis.

Eu, como humana, como todos sedenta de mudança, moldo-o:

Com uma lâmina como peso torno-o um instrumento de tortura,

Com algumas medições calculo a aceleração da gravidade

      E com atenção na cadência cronometro o que perco.

   

O Pêndulo varia a velocidade neste invariável curso:

Queda-se indeciso, por um instante, na inversão do sentido

E passa mais célere pelo seu centro de gravidade;

Abranda para ver a dor dos torturados

      E apressa-se perante o prazer dos amantes.

   

O Pêndulo, por inércia, nunca pára.

O movimento é eviterno, constante, etéreo.

O movimento nunca, em momento algum, cessa.

Não o pode fazer, como não o podemos todos nós,

     Pois se o pêndulo parasse, deixaria de o ser.

 

    

By Sophia 

    

    


música: Learn to be lonely (from 'the phantom of the opera')

publicado por **** às 00:12
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
Tempo

Hoje foi-nos pedido para pegar numa palavra qualquer (mas com muito geitinho...) e a relacionarmos com tudo o que fosse possível. Com essas palavras que surgissem daí deveríamos dar asas à imaginação e criar... (esta última parte em pouco mais de 7 minutos!)

 

Escolhi a palavra tempo... mas não fui a única - a sophya (não sei se por magia se por telecomunicação) colocou a mesma que eu.

 

Eu bem tentei dar asas à imaginação...

 

 

Tempo

 

Fiz do tempo uma história. Fugi no sentido inverso e no meu ignóbil momento sonhei. Do sonho pintei ouro, do sol fiz poesia e então me ri. Ri risos de outros tempos, vi mundos d'outras eras e, sem querer, fui.

Voltei no sentido inverso e dei de caras com o vendaval do movimento - vi a morte, sorri à vida, chorei a chuva, disse adeus à tempestade. Deitei gestos perdidos nesse fio de luz. Mas então, voltaste atrás e contaste-me uma história de encantar, num múrmurio cansado.

Num sopro embalo-te e deixo-te cair a dormir, nas noites que passo sem ti.

 

 

By Ana M.


música: Tatuagens - Mafalda Veiga e João Pedro Pais

publicado por **** às 19:42
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007
Agonizo...

Ergo meus olhos vagos na distância

          Da sombra do meu Ser...

Pairam de mim Além, e a minha Ansia

          Cansa de me viver.

 

Meus olhos espectraes de comoção,

Olhos de Alma olhando-se a Si,

Nimbam de luz a longa escuridão

           Da Vida que vivi.

 

Auréola de Dôr que finalisa

Na noite de abysmo do meu nada,

Silencio, preço, comunhão sagrada,

Sonho de luz em ti me divinisa,

           Tortura do meu fim,

                  Alma ungida

                  E perdida

Na grandeza de Si. E já sem ver-me,

Maceração crepuscular de Mim,

            Agoniso de ser-me.

 

 

Lisbo - 1914

Cortes -Rodrigues

Revista Orpheu



publicado por **** às 10:40
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