Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
Noite de Nevoeiro



Esfrio cá fora.
Isolada e impotente,
Sobre este Inverno impiedoso.
Maldita noite, maldita hora.
Nevoeiro, tenebroso,
Arrepia-me, gela-me, mata-me,
Agora.

Vão-se as forças,
E com elas a esperança.
Sobre o vidro, mãos descalças
Não doem mais que a lembrança.

Perdoai-me, amigos, minha fraqueza,
Se ainda assim vos posso chamar.
Devo-o á vossa crueza
Este meu perdido olhar.

Perdi a sensação,
O meu corpo não é mais meu.
Nevoa, és a minha perdição.
Como uma muralha que se ergeu.

Doi-me alma,
Estou perdida.

Do Mundo estou isolada,
Mesmo de quem me quer mal.
Violas a minha mente queimada,
Satisfazes o teu desejo carnal.

É dificil.
Admito.
Agrides-me, criticas-me,
Pões-me futil.
Esquece-me,
Amanha não serei sequer um mito.

Acabas comigo,
E aqui me deixas, morta,
Por mim rogas,
Rainha Calamidade.

O nevoeiro levantou
Só restos de mim ficou.

 

By Lucya



publicado por **** às 19:42
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6 comentários:
De V.A.D. a 4 de Dezembro de 2007 às 02:31
Momento de terrível clamor
Cheio de horas malditas
Palavras soam, aflitas
Antes do débil estertor...

Um beijo... :-)


De Lucya a 5 de Dezembro de 2007 às 00:09
Pode-se dizer que, com uma simples quadra, arrasas com todo o meu poema =)
Obrigada pela visita ;D


De V.A.D. a 5 de Dezembro de 2007 às 02:48
Oh, não era essa a minha intenção... Pretendi apenas fazer uma síntese daquilo que senti ao ler o que foi escrito, e bem, por ti...

Um beijo... :-)


De Sophia (do Flip Side) a 6 de Dezembro de 2007 às 18:18
Já li vezes sem conta o poema e sinceramente não sei o que comentar...

Está simplesmente lindo, adorei-o, mas tem um tom que me gelou mais do que qualquer 'maldita' noite alguma vez o poderá fazer. De resto só te peço que não esfries "cá fora" - volta para dentro e aquece-te com o cobertor, pode ser que amanhã o nevoeiro tenha levantado e tudo pareça mais calmo.
Se não o parecer ao menos serás mais que simples restos e poderás enfrentá-lo de novo.

... Se todo o esforço vale a pena? Bem não sei, mas só há uma maneira de descobrir: tentar.


De Lucya (do Flip Side) a 9 de Março de 2008 às 23:22
Pior será não encontrar o caminho de volta a casa...


De Sophia (do Flip Side) a 10 de Março de 2008 às 01:22
Pior ainda é não ter casa... não se sentir pegada a lado nenhum, na ausência não ter saudade de local nenhum, senti-se mais em casa numa qualquer passeio à beira-rio, livraria sombria ou canto de jardim "sobre este Inverno impiedoso" que nesse "lar"...

Beijos


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