Domingo, 30 de Dezembro de 2007
A efemeridade do eterno

    

    

      Um dia deste-me uma rosa que simbolizava o teu amor por mim. Aceitei a primeira, guardei-a com cuidado, e ainda com muitas mais delicadezas acolhi o segundo. Disseste-me que ela efémero e repetiste-me sempre que ele não pereceria jamais.

       Pois bem, o avermelhado veludo da rosa ainda está pousado numa prateleira do meu quarto, conservei-a se bem que não tenha conseguido evitar a perda de algum do rubor da altura. Mas onde está o outro? Acho que nem a um canto poeirento num tampo de madeira teve direito.

 

       A temporalidade do leviano símbolo sobreviveu à eternidade do que importante simbolizava. Ao menos sempre fiquei com a rosa para estimar.

 

 

By Sophia

  

 

 

 

 

"You remain my power, my pleasure, my pain.
To me you're like a growing addiction that I can't deny, yeah
(...)
Now that your rose is in bloom,
A light hits the gloom on the grave.
Yes I compare you to a kiss from a rose on the grave"

 


música: Kiss from a rose - Seal

publicado por **** às 21:20
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7 comentários:
De V.A.D. a 30 de Dezembro de 2007 às 23:19
Disse, em jeito de eternidade, que nada mataria o sentimento: amor infindável e turbulento, cheio de carinhosa suavidade. Triste engano, equívoco momento, esse que iludiu a felicidade. A rosa murchará de verdade. Morrerá, num profundo lamento, simbolizará o desalento, evocará a saudade...
A cada dia que passa, mais convencido estou de que nada é eterno... Felizmente, a capacidade de adaptação tudo resolve, e o tempo também dá uma ajuda... :-)
A música que seleccionaste para este teu magnífico post é, também ela, magnífica.
Desejo-te uma óptima noite e um fantástico 2008!

Beijos... :-)


De Sophia (do Flip Side) a 31 de Dezembro de 2007 às 02:18
"A cada dia que passa, mais convencido estou de que nada é eterno..." dizes tu e eu acrescento que já estou convencida por completo há muito tempo (mesmo não tendo assim tanto tempo de vida) que a eternidade em nada existe.
"Triste engano", não concordo. Tenho pena de também não o ter tido, teria sido mais feliz. A felicidade acaba por ser um engodo, mas não há nada pior que não conseguir usufruir dela por termos consciência disso. É um engano a que deveria ter tido direito, principalmente com a idade que tenho.
A rosa já lá repousa há meses, mas continua bela. Olho-a sempre que vou dar corda ao relógico de bolso que ponho ao lado e gosto da sua presença. Mas não precisava de murchar para evocar a saudade mesmo quando não quero que tal aconteça.

O tempo pode quiçá ajudar... mas sem dúvida que uma memória fraca seria bem mais eficaz =)

Beijos e
Que tenhas uma óptima noite
A minha hoje é capaz de ser passada a ouvir música no escuro... esta sem dúvida que esta terá o seu lugar


De Ana M. a 31 de Dezembro de 2007 às 13:05
Isto parece-se incrivelmente com aqueles policiais onde o assassino guarda religiosamente algo que o recorde de seu feito.

eu n guardo nada. Só tenho como auxílio a famosa agenda preta q vcs me deram. =)

beijos* FELIZ 2008!!


De Sophia (do Flip Side) a 31 de Dezembro de 2007 às 16:59
Normalmente esses policiais tem estilo... ao menos há algo neles que também passa para mim.

Pois eu gosto de guardar algumas coisas, são poucas as relíquias que tenho mas guardo-as religiosamente. Um pouco da pessoa que nos deu ou da situação que vivemos fica no objecto, por mais patético que ele seja. Por vezes acho que até um pouco de nós fica aprisionado e custa-me deitá-lo fora pois é o que fica depois duma vida.


De Lucya a 31 de Dezembro de 2007 às 16:00
Já não era tempo de deitares a rosa fora?
Vai acabar por apodrecer e as coisas podres cheiram mal.


De Sophia (do Flip Side) a 31 de Dezembro de 2007 às 16:52
Até que isso ou algo mais aconteça acho que vai ficar por lá...
Tudo acaba por apodrecer, até eu vou acabar por ficar "podre" e espero que não me deitem fora antes disso (mesmo que o queiram muito).


De Ana M. a 2 de Janeiro de 2008 às 11:55
Sorry mas concordo com ela xD

Guarda a foto que tiraste a rosa e fecha-a num envelope no fundo da última gaveta da cómoda;

Da rosa tira três pétalas e fecha-as num livro na última prateleira do móvel, encarceradas entre restos homólogos.

Quando a alma se fragmenta o ser torna-se mais fraco. É como se cravasses um punhal pelas costas num sítio não letal e depois o deixasses ir lentamente perecendo.


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