Segunda-feira, 10 de Março de 2008
A última imagem

   

 

                          By Escher

 

  

Diz-se que a última imagem que uma pessoa vê no momento em que abandona este mundo fica gravada na retina, como se fosse esse o último esforço dela para se agarrar à vida. Todo o corpo se começa a desmoronar, a degradar, mas, se se mantivessem os olhos intactos, este último e derradeiro momento ficaria para sempre guardado.

 

Como seria se pudéssemos revelar essa fotografia? Como seria se pudéssemos vislumbrar a visão com que o morto se despediu deste mundo? Como seria ver o instante em que a morte bate à porta e, no entanto, permanecer vivo?

Certamente muitos assassinos seriam descobertos e muitos inocentes ilibados. Obteríamos imagens que, de outra maneira, ao nos passarem pelos olhos anunciariam a nossa fatal condenação. Satisfaria necessidade e curiosidade. Talvez até conseguíssemos ver o rosto da morte, um retrato nítido e objectivo ou um vislumbre espumado e subjectivo.

 

Só a ideia das nossas células serem as fieis depositárias deste último flash já é fascinante. Em vida elas são constantemente activadas e recuperam só para serem impressionadas pelo estimulo que o instante seguinte lhes oferece. Ao acabar o fornecimento de oxigénio param a tarefa, não havendo essa “recuperação”, parando o momento no exacto ponto em que o tempo chega ao fim. Acaba por ser lógico que esta imagem se eternize como nenhuma outra, não passássemos uma vida inteira só à espera dela.

 

 

                                                                          By Sophia  

 

"MAGGOT

The sure redeeming feature
From that little creature
Is that she's alive (…)

 

BLACK WIDOW
Everybody know that's just a temporary state
Which is cured very quickly when we meet our fate
 
MAGGOT
Who cares?
 
BLACK WIDOW
Unimportant
 
MAGGOT
Overrated
 
BLACK WIDOW
Overblown (...)

 

CORPSE BRIDE

If I touch a burning candle I can feel no pain

In the ice or in the wun it's all the same
Yet I feel my heart is acheing
Though it doesn't beat it's breaking
And the pain here that I feel
Try and tell me it's not real
I know that I am dead
Yet it seems that I still have some tears to shed"

  

 

música: Tears to Shed (from the movie ''Corpse Bride'') - Danny Elfman

   http://youtube.com/watch?v=3z1EALZoIpg



publicado por **** às 23:11
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8 comentários:
De Ana M. a 13 de Março de 2008 às 00:25
Não imaginas o que me fascinou essa ideia quando a compreendi pela primeira vez no filme Wild Wild West ... É simplesmente... espantoso todo o processo da visão, mas, em caso de verdadeiro, este será o mais 'curioso' de todos.
Será que temos consciência da última coisa que vemos ao morrer? Ou será apenas um turbilhão de sentidos? Com certeza dependerá da forma como a morte nos abordará...
Ás vezes gostava de morrer e renascer só para saber o que é não ser, não sentir.

Bj*


De Sophia (do Flip Side) a 13 de Março de 2008 às 19:29
"Ás vezes gostava de morrer e renascer só para saber o que é não ser, não sentir" - às vezes gostava de morrer também para isso, mas seria impossível escolher o modo... queria tentar todas as "abordagens" da morte.
Uma resposta que se pode dar a uma pessoa quando esta pergunta "o que se passará depois de morrermos" é que há uma maneira simples de satisfazer essa curiosidade... porém a hipótese de morrermos e voltarmos atrás ainda é mais aliciante.

Já ficava mais contente se essa hipótese fosse confirmada.
Nunca vi esse filme... lembrei-me simplesmente de algo que há muito tinha lido com a imagem deste fantástico artista.

Beijos


De V.A.D. a 13 de Março de 2008 às 01:53
Seria fantástica, a capacidade de percebermos essa derradeira imagem, talvez alterada pelo estertor da morte, talvez fiel à luz que estimula cones e bastonetes...

Desejo-te uma excelente noite!

Um beijo e um enormeeeee sorriso... :-)


De **** a 13 de Março de 2008 às 19:21
"Seria fantástica, a capacidade de percebermos essa derradeira imagem" - sem dúvida... alterada ou completamente fiel, só a hipótese já é de si interessante. Desde que a li num brevíssimo artigo de revista que fiquei a pensar nas suas implicações...

Muitos beijos sorridentes e que fazem sorrir


De Lucya (FlipSide) a 13 de Março de 2008 às 14:23
Parabéns Sophia,
pelo post extraordináriamente arrepiante!
Nunca ouvi falar sobre este tema e muito menos pensei nisso.
Deixas-me intrigada com as tuas palavras...
Como seria de facto se conseguissemos ver o último momento de alguém antes da sua alma ser retirada do seu corpo?

Sem dúvida um óptimo tema para debate.

Beijos*


De Sophia (do Flip Side) a 13 de Março de 2008 às 19:35
" Como seria de facto se conseguissemos ver o último momento de alguém antes da sua alma ser retirada do seu corpo? " - Algo reservado por enquanto àqueles que não nos podem responder a essa pergunta...
Seria prático e ao mesmo tempo interessante.

Quanto ao "Parabéns (...) pelo post extraordinariamente arrepiante" - obrigada pelo comentário extraordinariamente arguto.

Beijos


De poteta a 13 de Março de 2008 às 22:46
Certamente muitos assassinos seriam descobertos e muitos inocentes ilibados.

Não sei se essa imagem poderia ser usada para isso... primeiro era preciso garantir que essa imagem que nos fica na retina é mesmo a última coisa que a nossa visão capta. Até porque, por vezes, mesmo de olhos abertos, vemos imagens que não as reais... pelo menos isso acontece-me... e nessas alturas, era capaz de jurar que se morresse nessa altura, essa imagem que estaria a ver- que não corresponderia ao que se estava a passar na realidade em frente aos meus olhos- seria a que me ficaria na retina...


De Sophia (do Flip Side) a 14 de Março de 2008 às 01:09
Deveras, pelo que sei, é pouco mais que uma conjuntura a possibilidade de decifrar o que ficou gravado na retina.

Não tinha pensado nisso...
De facto podemos ver de olhos abertos imagens que não são reais, contudo a maioria das ilusões, miragens, alucinações e essas imagens ocorrem pela interpretação do cérebro do sinal que vem da retina. É aí que elaboramos a nossa imagem mental completamente subjectiva. Uma decifração da imagem na retina por meios mecanicos possivelmente dar-nos-ia a representação mais parecida com uma fotografia da nossa vida.
"essa imagem que estaria a ver- que não corresponderia ao que se estava a passar na realidade em frente aos meus olhos" - não sei se notaria na retina, mas no cérebro apareceria de certeza.

Beijos


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